quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O RELATO - 4 DE FEVEREIRO

Terça-feira, 4 de Fevereiro de 1908
Lisboa-Paço das Necessidades

Morre D. Carolina Eça de Queiroz


Dormi umas 3 a 4 h que me repousaram. Logo ás 8h fui para junto dos cadaveres do meu querido Rei e querido Principe que estão ainda na cama mortuária.
Ás 10 horas fui fazer o curativo a El-Rei D. Manoel que vai melhorando graças a Deus.
Está constituido já o ministério presidido pelo Ferreira do Amaral. É um ministerio de concentração para calmar os espiritos que estão realmente mais socegados.
Das 2 ás 4 fui ao consultorio e dei também uma chegada a casa. Vim depois logo para aqui.
Ás 8 h jantar. Ás 10h fui deitar El-Rei e depois fui para junto dos queridos mortos até de madrugada. Como eu tenho aguentado o desgôsto e o cansaço.
Tempo lindo contrastando com a horrivel desgraça.
Morreu hontem em Lisboa D. Carolina Eça de Queiroz, mãe do grande romancista José Maria Eça de Queiroz. R.I.P.


Thomaz de Mello Breyner - 4º Conde de Mafra



Lenço que El Rei Dom Manuel II trazia no dia do Regicidio. Tem ainda sangue de El Rei resultado do ferimento de bala no atentado. Foi oferecido por Ele ao meu Bisavô. JTMB

1 comentário:

Brancamar disse...

Caro amigo,
Continuo a minha leitura dos acontecimentos de 1908, não tão cedo quanto queria, mas conforme o tempo disponível mo permite.
Além da interessante fotografia do lenço de El-Rei Dom Manuel II e do pormenor nele contido, continuo a ver neste texto a enorme fidelidade e mesmo ternura de seu bisavô quando depois de todo um dia à volta dos seus afazeres e da dor que ele próprio sentia, diz que foi deitar El-Rei. D.Manuel II deve ter tido no senhor seu bisavô um grande ombro protector e amigo no pior dos seus dias.
Interessante saber aqui o dia do falecimento da mãe do noso grande romancista José Maria Eça de Queirós.
Força José Tomás, estes documentos são únicos, está a fazer um trabalho exemplar, pois na verdade tais documentos são elementos históricos que era imperativo virem à luz do dia.